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Apertar o cinto?! Quem?

Apertar o cinto Quem

O artigo de hoje era para ser dedicado a automóveis. No entanto esta semana foi rica, “pelo menos para mim” em histórias verídicas sobre assuntos da actualidade, que me levaram a mudar a orientação do meu artigo.

Quantas vezes é que já escutou os senhores governantes a dizer que Portugal tem de “apertar o cinto”? Concerteza que foram muitas vezes que os ouviu dizer isso.

Não digo, nem penso que estão errados ao dizer isso, pois a crise com que fomos assolapados levou-nos para este caminho. Agora, o que eu não aceito e acredito que você também não, é ver as coisas que estão acontecer em torno desta crise e deste “apertar o cinto”. Para que perceba bem o que lhe quero mostrar, vou começar por relatar algumas das histórias que chegaram até mim durante esta semana. Algumas até são públicas mas outras não.

Vou começar por relatar uma história que me chegou pelas mãos de um amigo que trabalha nos correios.

Esse meu amigo faz a entrega da correspondência pelas habitações de uma determinada região. Nessa correspondência encontram-se os vales dos pensionistas e também os “chequinhos do rendimento mínimo”.

Este pequeno à parte – Para quem não sabe rendimento mínimo é um subsídio que a segurança social dá aos desfavorecidos, como por exemplo idosos, pessoas com doenças e que não podem trabalhar e também se pode encontrar pessoas jovens com condições excelentes para desenvolver actividade profissional de trabalho.

Como referi, é uma ajuda que vem da Segurança Social, esta é uma instituição para a qual eu desconto todos os meses, isto porque trabalho e recebo um salário de valor superior ao ordenado mínimo nacional. Neste sentido, tanto desconto eu como a minha entidade patronal como você mesmo.

Voltando à história, esse meu amigo contou que esta semana recebeu por diversas vezes alguns telefonemas de pessoas a querer saber se o cheque do rendimento mínimo já tinha chegado. Mas como ele andava na rua, era um colega dele que recebia as chamadas, então houve um cidadão que quis deixar um recado. O recado foi – “queria saber se já tinha chegado o cheque do rendimento mínimo, pois tinha as “FÉRIAS MARCADAS PARA O ALGARVE E TINHA DE IR EMBORA”. “Fantástico, eu trabalho e como tenho de apertar o cinto vou fazer as minhas férias em casa, pois o dinheiro não estica”.

No seguimento desta, apresento outra história, a de uma amiga que tem um café e que me confidenciou que há mais de três anos que tenta junto do IEFP a contratação de pessoas que estejam inscritas como desempregados. Eu perguntei porque razão é que não conseguia contratar ninguém? Nesse momento, a minha amiga respondeu-me o seguinte:

“Há pessoas que chegam aqui e dizem que não estão interessadas em trabalhar, pois estão a receber o subsídio de desemprego, outras querem, mas só na condição de não fazerem descontos, pois como estão a receber ou o subsídio de desemprego ou o rendimento mínimo, não o querem perder. Por fim também me disse que já apresentou queixa dessas pessoas, mas que ninguém faz nada”.

Depois ouvimos notícias que nos dizem que o governo manda os hospitais cortar no fornecimento de água aos doentes, manda retirar as fraldas aos recém-nascidos, retira o cheque bebé, retira o cheque dentista. Entre outras tantas coisas, veja esta posição, a família que vive de um ordenado mínimo nacional, não tem apoio escolar para os seus filhos como era habitual, tem de pagar a taxa moderadora quando precisa de assistência médica, mas desconta para a segurança social, para que a família que vive do rendimento mínimo passe a usufruir desses benefícios.

Manda-se apertar o cinto a quem trabalha, e abre-se o saco a quem não contribui em rigorosamente nada para a nossa sociedade, antes pelo contrário.

Depois há que tentar compreender como é que se pode ter a coragem de pedir para apertar o cinto quando vem a público notícias como o caso da nova frota de carros para o IEFP.

Não sei se sabe, mas o governo autorizou o IEFP a gastar 4 milhões de euros na compra de 137 automóveis novos, o que corresponde à média de 27 mil euros cada carro.

Pergunta-se para que é necessário gastar tanto dinheiro em carros? Os que existem não servem? Depois, tendo que aceitar este esbanjamento de recursos financeiros por parte do governo, eu pergunto, será que um carro semi-novo com 1 ano ou meio ano de uso, não serve? Tendo mesmo que ser novo pergunto, será que não há carros novos à venda com valores até 15 mil euros? 

Eu pessoalmente teria muito para escrever acerca desta matéria, mas deixo espaço para os vossos comentários.

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