Será o combustível todo igual?

Qual é o melhor combustível? O de marca branca ou de marca?

Será o combustível todo igual? Actualmente, questões ligadas à mobilidade levam-nos para “bens de luxo” isto porque os transportes públicos são cada vez mais caros e, viajar em veículos próprios está pela hora da morte, porque o custo dos combustíveis aumentam constantemente.

Quantas vezes não nos deparamos com a dúvida na hora de abastecer o nosso carro: se o combustível varia o seu preço de acordo com as marcas, será o combustível todo igual? Será um combustível low-cost igual aos outros?
Em principio sim! No entanto a dúvida paira sempre no ar e para tirar as dúvidas, a DecoProteste efectuou um estudo sobre a qualidade do gasóleo, onde selecionou os líderes do mercado do gasóleo no respetivo segmento: o Jumbo e o Intermarché, que são ambos low-cost, e a Galp com os seus dois representantes: o gasóleo regular, denominado Hi-Energy, e o gasóleo premium, o G-force. O estudo em questão pretendeu analisar o efeito que o consumo destes gasóleos provocam no veículo.

Alexandre Marvão, responsável por este estudo, explica como o efectuou “Compramos quatro carros iguais, abastecemos com combustíveis distintos e fizemos 12.000 Km em simultâneo com os quatro carros. Pretendia-se verificar quais os efeitos inerentes a cada um dos combustíveis”.

Obviamente, antes de iniciar qualquer tipo de teste, todos os veículos foram verificados de forma a constatar se não haveria qualquer tipo de factor externo que pudesse interferir no resultado final desta experiência, a não ser o combustível utilizado, variável que se pretendia estudar.
“Verificamos que os principais componentes dos automóveis eram iguais, verificamos, por exemplo, o comando central do motor e o seu software, bombas injectoras e injectores e, até mesmo, os pneus” explica Alexandre Marvão, e ainda foram substituídos o óleo e os respectivos filtros de forma a todos os veículos estarem exactamente iguais. Os filtros do gasóleo também foram substituídos de forma a eliminar vestígios de outro combustível utilizado anteriormente, seguindo sempre as recomendações do fabricante. Para que a medição do consumo fosse rigorosa, foram também instalados depósitos especiais que permitem pesar o gasóleo com precisão. Após estas transformações, realizou-se uma pesagem dos veículos, verificaram-se os pneus e efectuou-se o alinhamento das rodas.

Em seguida, os veículos foram levados para o autódromo onde os quatro foram sujeitos a uma exigente prova. Alexandre Marvão explica “os carros foram conduzidos durante um mês por pilotos profissionais. Os pilotos desconheciam os combustíveis em teste e diariamente trocavam de carros”.

De salientar que o abastecimento dos carros foi sempre efectuada de forma anónima, ou seja, o gasóleo foi adquirido em diferentes bombas das marcas escolhidas para este teste. Os carros circulavam diariamente, em coluna, alternando a sua posição. Foram utilizados dois percursos: um a simular a circulação em cidade a velocidade média reduzida e com paragens e outro a simular a circulação em auto-estrada e vias rápidas com velocidades e rotações superiores.

Durante este teste foram verificados alguns parâmetros como por exemplo, se o combustível deu mais potência ao motor, se aumentou ou reduziu o consumo se produziu mais ou menos emissões poluentes .

Foi também verificado o desgaste que o gasóleo produzia em cada carro, ou seja, se de facto existem produtos adicionados ao combustível que protegem o motor. Para isso, foram desmontados os motores e retirados os pistões, uma vez que nos motores a diesel são os componentes onde se verifica o maior depósito de carvão.

Alexandre Marvão explica “a recolha dos pistões foi feita de forma a não se tocar nem no topo nem nas laterais dos pistões porque são as zonas onde se acumulam maiores depósitos”, estes depois de retirados foram embalados e enviados para uma empresa no estrangeiro que efectua este tipo de análises de acordo com as normas internacionais.

Após estes testes, a DecoProteste chegou à seguinte conclusão:

Qualquer um dos quatro gasóleos testados deu consumos, emissões poluentes e desgaste semelhantes. Assim, se abastecer com a Galp (regular ou premium), no Jumbo ou no Intermarché o desgaste no seu veículo será o mesmo por isso olhe pela sua carteira e opte pelo mais barato!

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  • Carlos Almeida

    Pois…. Só que tenho imeeeeensas dúvidas.
    Para já, o tal “ensaio” deveria ter sido acompanhado de elementos com habilitação académica superior, ou seja, engenheiros mecânicos e todos desligados da DECO. Depois, TODOS sabemos de “n” casos de carros avariados pelo facto de os combustíveis não apresentarem as especificações adequadas, ou seja, serem o que se chama, “combustíveis sujos”. Um depósito de gasolina com resíduos de gasóleo ou querosene diluído, altera completamente quer o rendimento,quer a poluição e aumenta ainda de forma nítida a probabilidade de avarias. O mesmo acontece com motores a gasóleo, em princípio mais tolerantes, mas do mesmo modo sensíveis a problemas quando a mistura é francamente desequilibrada.
    Fui testemunha de um desses, e se são muitos, casos. Um rapazito, curto de massas, encheu meio depósito de gasóleo. Tivesse sido um carro a gasolina tradicional, e o carro andaria uns cinco a dez quilómetros com a pequena reserva de combustível que existe no depósito do carburador antes de começar a aparecer a avaria. Tratando-se de um carro a gasóleo, o combustível fica praticamente logo disponível na bomba injectora, mal se consuma o pouco que o tubo de alimentação contem. Ora estava eu a sair de um espaço comercial que tem uma dessas bombas, e conhecendo o rapaz, acenei-lhe e assisti em como dez metros depois de ter saído da bomba o carro começou a fazer imenso fumo, com um som esquisitíssimo, e poucos metros depois parou. Fui ter com ele e qual não foi o espanto, (ou não) quando ao carro a seguir aconteceu exactamente o mesmo. Resultado: queixa na bomba na sequência da qual o empregado colocou uma tabuleta a dizer “esgotado”. Qual foi a solução? Tirar a maior parte do gasóleo e voltar a colocar no depósito combustível em condições. O carro passados uns soluços e fumo iniciais voltou a andar normalmente. Mas para isso foi necessário chamar-se um mecânico e pagar obviamente o seu trabalho. Destes casos não se fala e são centenas. É só perguntar a quem sabe do assunto: oficinas de reparação. Por fim, um outro pormenor. Se fosse tudo igual, as empresas de combustíveis não investiam fortunas na investigação de combustíveis para fórmula um. Mas vindo da Deco nada me admira, pois têm muitas vezes práticas igualzinhas às que eles condenam em terceiros. É só reparar nas caixas de mail e papelada nas nossa caixas do correio.